País irreal...problemas reais
Num país onde os discursos das duas principais figuras de Estado revelam opiniões tão distintas sobre a situação do país, apesar de uma concordância de objectivos tantas vezes manifestada por ambos, demonstra o estado em que nos encontramos e só mesmo os mais optimistas poderão encontrar neste virar de ano razões para confiar num futuro positivo. As mais altas entidades da nação, nas quais todos depositavam a maior confiança começam a dar sinais preocupantes de degradação institucional, o Procurador Geral da República, só lhe falta dizer que desiste, em face das pressões e das desconfianças já manifestadas, o Presidente do Banco de Portugal, se era encarado com uma personagem credível de todo o sistema, neste momento é visto como mais um "boneco" deste jogo de interesses. Depois chegamos aos senhores ministros - e no caso da saúde temos o expoente máximo.
Todos os dias assistimos a minutos consecutivos de notícias sobre o mau funcionamento de hospitais/centros de saúde, das horas de espera, da falta de médicos, da falta de enfermeiros, da falta de condições e no entanto o Sr. Ministro da Saúde dá entrevistas a manifestar que tudo está melhor, mesmo quando há pessoas a morrer nas salas de espera dos hospitais enquanto aguardam para serem atendidas e mesmo quando o número de partos em ambulâncias não pára de aumentar.
Atendamos ao caso específico do Algarve. Alguém no seu juízo normal que tenha tido necessidade de passar pelas urgências do Hospital de Faro poderá compreender o encerramento das urgências dos Centros de Saúde de outras localidades como é o caso de S. Brás de Alportel? Quando os corredores estão cheios de macas, onde os profissionais não tem as mínimas condições para trabalhar levando-os a uma atitude desumanizada e compreensível. Perante este cenário receio questionar-me sobre o que aconteceria naquela urgência caso houvesse um desastre aéreo novamente - o que fariam às macas?
A política de saúde deste governo é um retrocesso de décadas para Portugal e um desrespeito pela história e pelo sacrifício de muitos portugueses, que doaram terrenos, fundos e horas de trabalho para que pequenas terras tivessem o seu Hospital, reduzindo as assimetrias da interioridade, que agora este governo menciona em discursos e depois toma medidas que indiciam uma vontade desmedida de centralizar, com o objectivo de reduzir custos.
Com mais um golpe político de fachada o governo alterou o estatuto do Hospital Distrital de Faro para Central, com um reforço de verbas, e mais um aumento para os utilizadores, porém mais condições ...
Pedro Gonçalves
Licenciado em Turismo-Marketing
Postal do Algarve 10.01.2008
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