O Riso dos Outros
O Ministro Mário Lino arrisca-se a ficar nos anais da história como aquele que, quando abre a boca, mais vezes expele asneiras, sejam inadvertidas ou não.
Não bastavam os episódios do "
tal Engenheiro que é reconhecido pela ordem" ou a comparação infeliz "da margem sul a um deserto", agora, num recente debate da Câmara de Comércio Luso-britânica, na semana passada, em Lisboa, colocou-se a jeito para ouvir uns risos trocistas quando pronunciou que nunca voltava atrás nas suas decisões, pois "
era um homem decidido e determinado".
Numa altura em que ainda se entranha a decisão do novo aeroporto ser construído em Alcochete, depois de um volte face que merecerá uma outra análise mais pormenorizada brevemente, esta declaração, por mais que fosse desprovida de uma qualquer intenção menos boa, obviamente, só poderia ter como resultado o ser levado menos a sério.
Vem isto a propósito de algo que não me canso de alertar: as declarações públicas proferidas pelos políticos que detêm responsabilidades e que, por isso, são permanentemente mediáticos.
Sabemos todos que esta tarefa não é fácil. Primeiro, porque muitas destas pessoas são diariamente confrontadas com um apetite voraz pela informação e pela necessidade de comentarem afirmações cujo teor por vezes desconhecem. Segundo, porque esta ansiedade devastadora, geralmente, provoca uma outra ansiedade trôpega que coage mais a errar do que a acertar.
Diz-nos a experiência que a comunicação social não é meiga mas também não é diabo, sendo, em conformidade, apenas o produto da multiplicação dos nossos actos. Nesta linha de raciocínio, limita-se a exteriorizar e amplificar as declarações de cada um.
Ora o que muitas vezes acontece é que os políticos nem sempre medem o calibre nem o impacto das suas declarações, pensando que tudo é aceitável. E aí começa o erro.
Quem já anda nisto há muito tempo sabe perfeitamente que se deve resguardar um pouco. Não por cinismo ou por má fé, mas por precaução. Ou, se quiserem, por respeito às responsabilidades que cada um tem e pelas funções que desempenha.
Numa altura em que a sua conotação junto da opinião pública não é a melhor, os políticos devem esforçar-se por entender que ao se envolverem num conjunto de trapalhadas verbais, não ajudam em nada a melhorar o próprio exercício da política ou o que é ainda mais importante, isto é, o esclarecimento cabal das pessoas.
A persistirem nesta estranha atracção pelos microfones de uma forma pouco racional, não se admirem pois do riso inevitável dos outros. Nas próximas vezes, seja o Ministro Mário Lino, sejam os políticos dos partidos A ou B, pensem antes de falar e giram melhor a sua relação com a comunicação social. A ausência do ridículo e o bom senso assim o exigem.
Nuno Silva
Técnico de Recursos Humanos
Jornal "Região-Sul" 23.01.2008
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