Quando a Mediocridade é Premiada…
As organizações vivem de exemplos. Quando se distingue ou pune alguém toda a estrutura analisa essa decisão e entende-a com uma indicação de um certo modelo de comportamento a seguir. Ou não.
A célebre máxima que diz "faz o que eu digo, não faças o que eu faço" causa entropia nas organizações e está errada. Em primeiro lugar porque é estúpida. Em segundo porque apenas serve os líderes fracos e incapazes.
Quando o exemplo não vem de cima, gera-se imediatamente um "estado desculpador" generalizado na organização: "se o chefe só chega às 10h, porque razão tenho eu que chegar mais cedo" ou "eu é que faço as coisas, ele só assina e ganha o dinheiro".
Nos casos em que alguém que trabalha bem, é esforçado e tem um bom desempenho consegue ser premiado toda a estrutura entende a promoção como um incentivo. É como se lhe dissessem: "esforça-te, trabalha bem que o teu dia chegará".
Nas outras situações, onde o indivíduo pouco ou nada trabalha, raramente se esforça, passeia muito nos corredores e apenas vive do trabalho que manda os outros fazerem todos se sentirão traídos e desincentivados. Neste exemplo é como se lhe comunicassem: "não precisas de te esforçar, não te canses muito, desde que sejas bajulador ou tenhas cunha tu chegas lá".
De toda esta situação advêm responsabilidades acrescidas aos líderes de topo, normalmente escolhidos por razões de confiança ou por serem detentores de capital.
Uma vez que as escolhas não são neutras, sempre que optam por algo, estão a preterir outras opções. E com determinado custo associado.
E existem opções difíceis de tomar. Quando envolvem amigos, pessoas com poder interno ou que dominam tecnicamente um certo departamento, entre outras.
Mas, é nas decisões ousadas e com visão que se distingue quem manda. Que se vê quem os tem no sítio. Quem se preocupa em manter a sua situação a todo o custo ou com o futuro da organização.
O normal é quando não se concorda com uma qualquer imposição que vá contra os nossos princípios é colocar o lugar à disposição. Mas esta situação só acontece quando se valoriza mais os princípios do que o resto…o que cada vez mais se vai tornando raro!
Enfim, o benefício e o custo das decisões para as organizações.
Felizmente dos fracos não reza a história…
João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal "Região-Sul" 19.12.2007
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