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Pela preservação do (belo) litoral algarvio

Pode-se dizer que o turismo algarvio já não vive apenas do sol e mar. Ao longo dos últimos anos conseguiu incluir o golfe na lista de produtos que mais motivam a deslocação de turistas à nossa região.

Aqueles são, no entanto, produtos com características muito diferenciadas.

O primeiro, atrai, no Verão, turistas em grandes quantidades, por regra com baixo poder de compra, pertencentes a um segmento médio/ médio baixo, à procura do nosso sol e praia, motivados pelo clima ameno da região, a segurança, a proximidade dos países de origem e acima de tudo pelo baixo preço praticados ao nível do alojamento e restauração. A dependência económica que o Algarve apresenta face ao sector turístico e afins, que empregam mais de 70% da mão de obra, origina fenómenos de forte sazonalidade com o desemprego a aumentar bastante na época baixa (Novembro a Março).

Em contraste, o golfe, é um produto de excelência, com uma imagem forte ao nível internacional, pela qualidade dos campos, que atraí turistas com elevado poder de compra e que tem a sua época alta fora do período de verão, pelo que contribui para atenuar a sazonalidade da economia.

Há anos, senão décadas, que se ouve dizer que o Algarve pretende afirmar-se nos mercados internacionais como um produto de qualidade, de forma a atrair turista de um segmento superior e com maior poder de compra.

Alguns passos têm sido dados neste sentido, nomeadamente o desenvolvimento do golfe como atrás foi referido, outros foram dados sem que as suas potencialidades tenham sido ainda plenamente aproveitadas, como é o caso da construção do estádio do Algarve, e outros se encontram a caminho, como sejam a construção de hotéis de 5 estrelas, ou do autódromo do Algarve.

O Algarve é por isso uma região com uma capacidade crescente para atrair turistas, com cada vez maior poder de compra. Mas todos estes produtos e estratégias podem ser replicados com maior ou menor qualidades, oferecendo preço mais baratos ou mais caros, em muito pontos do globo.

No entanto, a região consegue aliar àqueles produtos uma riqueza natural, que poucos conseguem igualar. Falo da costa algarvia ou das reservas naturais como sejam a ria formosa ou o sapal de Castro Marim.

A beleza natural da região tem, no entanto, vindo a sofrer uma pressão urbanística que a tem descaracterizado. Casos como Armação de Pêra, Quarteira ou mesmo a ilha de Faro, são exemplos infelizes da descaracterização que a paisagem do litoral sofre(u) pela intervenção do homem.

Felizmente, ainda subsistem zonas litorais, como o Sotavento Algarvio, ou a Costa Vicentina, aonde a mão do homem ainda não chegou em grande escala pelo que se mantém muita da beleza natural.

Por algum motivo, quando aplicado um questionário aos turistas que visitavam a ilha de Faro pela primeira vez, só uma pequena percentagem manifestou vontade em voltar, pelo contrário o mesmo questionário aplicado aos visitantes da ilha do Barril, revelou que a grande maioria tencionava voltar. Quem conhece estes dois locais, certamente retirará as suas conclusões.

Muito se estragou, mas muito se manteve, até à data, com poucas alteração, no que respeita ao litoral algarvio, pelo que importa aprender com os erros do passado e tirar lições para o futuro.

É preciso ter presente que o principal cartão de visita da região é, e continuará a ser por muitos anos, o sol, o mar e a praia, que devem ser preservados, para que num futuro mais ou menos distante, não continuem a existir tal como os conhecemos, apenas nos postais de férias.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 28.06.2007

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