Dia Mundial do Ambiente
Para muita gente ficou em claro que na passada terça-feira se celebrou o Dia Mundial do Ambiente. Perante o exagerado número de dias mundiais de "algo", infelizmente muitos tendem a dar pouca importância ao facto, passando a ser mais um dia em que se ouvem referências a algumas actividades e pouco mais.
Mas um facto mais que evidente é que o ambiente hoje em dia ganhou relevância. Porquê? Durante muitos anos de crescimento económico, o ambiente não tinha ponderação nos cálculos de quem investia, regulamentava ou controlava. As fórmulas do investimento eram compostas por factores de avaliação dos custos de factores tecnológicos e humanos e mais valia para a organização. Isso reflectia-se não só na mentalidade das empresas como nas pessoas.
Hoje isso mudou, muito por causa das consequências dos efeitos de actos passados. Infelizmente, e como falávamos entre amigos, ainda não existe uma consciência e educação clara para este facto. Muitos dos comportamentos a adoptar passam pela educação e isso é um caminho longo, o qual apesar de já ter sido iniciado, leva tempo para ter pessoas informadas sobre os seus deveres (e obviamente direitos) para uma interacção positiva com o ambiente.
Recentemente esteve nas notícias a situação da Costa da Caparica, onde a erosão levou a graves problemas ambientais e humanos. Não é um facto isolado, nem exclusivo do nosso país, mas sim global face ao aquecimento global e um conjunto de muitos outros factores.
O Algarve depois de muitos anos a investir no turismo de maneira arbitrária, tem neste domínio graves problemas. A expansão da vertente turística da região não teve em conta a componente ambiental. Unidades hoteleiras em arribas e plena praia ou um excesso de construção em zona costeira marcam muitos dos pontos de turismo no Algarve. Esta situação tem de ser avaliada, pensada e reajustada. Aos agentes públicos compete regulamentar e tentar corrigir muitos dos erros passados, aos privados uma consciencialização que estes abusos têm um efeito na sua actividade a nível sustentado, provocando uma perca de qualidade futura na região e naturalmente no seu investimento.
É algo assente para todos que o desenvolvimento exige planeamento a médio e longo prazo. Cada vez mais a qualidade ambiental da região vai ter um peso na escolha do destino de férias. Essa é a tendência que vai marcar o futuro, com os clientes a terem cada vez mais essa preocupação e os destinos concorrentes do Algarve a adaptarem-se progressivamente para essa realidade.
No sentido de ajudar a gerar ideias sobre este tema, a Vialgarve juntou-se ao debate e realizou um jantar-debate no dia 4 de Junho sobre o tema.
Cabe a todos e cada um de nós ter um papel neste assunto!
Alexandre Costa
Economista
Postal do Algarve 07.06.2007
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